27/08/2010

Da Natureza da Dor.



Me diz que as minhas palavras tem o poder de desconstruir o Universo.
Me diz que eu posso criar e destruir. Preciso saber disso para dar o próximo passo.
Me diz que conheceu Deus e que Ele falou de mim pra você.
Me diz que entende que não podemos ter todas as respostas, mas que temos o direito de ter todas as perguntas.
Me diz que eu to errado, mas por favor me diz que eu tenho também um pouco de razão.
Me diz alguma coisa, mas também não se importa com o meu silêncio. Acredita que a verdade é que eu queria ser milhões para fazer a todos felizes, queria ser algumas centenas para fazer a quem quiser sofrer também o seu quinhão.
Me diz que você lê o que escrevo, reduz a inutilidade de ser Eu.
Não me diz nada às vezes, me olha e sente pena, também sou digno de pena.
Me conserta, acho que cola tenaz resolve, se não resolver o superbond é certo, eu já colei um dedo no outro e quase não solta.
Senta do meu lado,vamos olhar as árvores balançando pelo vento.
Me diz algo da minha Mãe do Céu, do meu Pai do Céu. Canta a música da lua pra eu dormir;

“bença mãe lua, me dá pão com farinha, preu dar pra minha gatinha, que tá presa na cozinha.”

Me diz alguma coisa, acende um fósforo no meu coração.
Entrega as partes de mim ao Meu Deus, diz a ele que estou triste.
Me mostra um filme de Jesus, me alegra o coração. Me conta histórias de Samael dormindo no porão, de Lakshmi andando oito quilômetros para assistir conferência.
Me diz que posso ter amigos, irmãos, companheiros sem a lama da maldade.

Fere minha carne com o látego, corta minha alma com a dor, esquece a misericórdia do lado de fora.

Crédito da imagem: http://rbiancarelli.files.wordpress.com/2007/09/ricardo_work12.jpg

3 comentários:

  1. Intenso...
    Por que digno de pena?
    Tão triste, tão dorido!!

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  2. essa é a natureza da dor que se sente em alguns momentos... quando vemos a humanidade sofrer e quando sentimos nossa própria dor.

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